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Todos sabem que, em 18/06, o Comitê de Política Monetária (Copom) aumentou a taxa Selic para 15% a.a., o maior patamar desde 06/2006.
Também está bastante noticiado as guerras ao redor do mundo e as incertezas econômicas que esses conflitos trazem consigo.
Introduzindo o assunto: O que é Turnaround jurídico?
Turnaround jurídico é um projeto de reestruturação de negócio e dívidas tributárias, trabalhistas, cíveis e societárias que a empresa possui.
Mas qual o impacto das referidas circunstâncias de mercado e mundo nos projetos de Turnaround jurídico?
- Empresa em reestruturação precisa de crédito e, com a Selic mais alta, significa crédito mais caro;
- Selic mais alta também significa crédito mais escasso, uma vez que investidores podem investir a risco baixo com alto retorno anual – 15% a.a. atrelados a títulos seguros e de renda fixa;
- Incertezas geradas por conflitos levam o investidor e capital estrangeiro a alocar seus fundos em operações menos arriscadas;
- Guerras tendem a afetar substancialmente a cadeia de suprimento global, o que gera diminuição da oferta e encarecimento de matéria-prima, o que pressiona ainda mais o caixa das empresas endividadas que já têm dificuldades para pagar o custo da matéria-prima sem o aumento;
- Incertezas econômicas diminuem consumo, o que gera o risco de grandes empresas entrarem em crise, o que afeta diretamente as empresas familiares brasileiras.
Um exemplo claro é o recente pedido de recuperação judicial da Marelli nos Estados Unidos, que já está afetando as empresas da cadeia automotiva no Brasil, uma vez que a recuperanda suspendeu seus pagamentos temporariamente;
- Crédito mais escasso e mais caro, aumento do preço de matéria-prima e dificuldade de grandes players mundiais diminui a atividade econômica das empresas, o que invariavelmente significa demissões e, consequentemente, aumento do passivo trabalhista;
- Custo de parte do passivo em si fica mais caro, pois é atualizado mensalmente pela taxa Selic, sendo que, em muitos casos, as empresas não geram caixa nem para pagar os juros que corrigem os passivos.
O cenário de fato é assustador para as empresas familiares endividadas, mas não significa que não existem SOLUÇÕES:
- Tanto a recuperação extrajudicial quanto a judicial podem ser estratégias interessantes;
- Gestão multidisciplinar dos passivos, entendendo as necessidades do negócio e classificando os débitos por grau de risco, priorizando atuação conforme a disponibilidade do caixa da empresa;
- Busca de formas alternativas de financiamento, como, por exemplo, DIP Finance;
- Operações de M&A estratégicas para fortalecer pontos críticos da empresa;
- Buscar recursos dentro da própria operação. Recuperar créditos tributários, mesmo que a empresa não esteja pagando o imposto do mês, uma vez que esses créditos podem ser monetizados;
- Acelerar a recuperação de eventuais créditos estressados ou a própria venda desses créditos;
- Venda de ativos não essenciais para operação;
- Reestruturação patrimonial! Patrimônio deve ser preservado e mantido na mão da família e não de credores.
A conjuntura internacional e interna é desafiadora e exige que as empresas repensem os caminhos adotados até aqui.
O elemento chave para o sucesso de um projeto de Turnaround é a soma da reestruturação das dívidas e do negócio, uma vez que existe uma relação direta de causa e efeito entre os motivos pelos quais o negócio não está gerando caixa e o endividamento.
Com visão voltada para negócios, o LG&P é o escritório de advocacia referência em reestruturação de negócios e administração de passivos de empresas familiares, oferecendo soluções jurídicas estratégicas para empresas familiares de médio e grande porte. Atuamos nas áreas de Direito Tributário, Trabalhista, Empresarial, Societário, Recuperação de Créditos, Contratos/Negócios e M&A, tanto no consultivo quanto no contencioso.